A cozinha francesa tem fama de complicada e caríssima, e essa fama é enganadora. No dia a dia, ela é sobretudo um conjunto de hábitos: comprar pão fresco todos os dias, comer a horas relativamente fixas, começar pelo salgado e acabar no queijo, e tratar o almoço como pausa e não como tarefa.
1. O pão é diário, e a escolha importa
Uma baguette de tradition — feita sem aditivos, por lei — custa cerca de 1,20€ a 1,50€ e é comprada no fim da tarde para o jantar do mesmo dia, porque endurece em horas. Nas boulangeries há normalmente duas: a baguette clássica, mais barata e mais branca, e a de tradition, mais escura e irregular. A segunda é a que vale a diferença de trinta cêntimos.
2. O croissant é de manhã — e come-se simples
Um croissant ao balcão custa 1,20€–1,80€ e é comido puro, no máximo com café. Recheá-lo com queijo e presunto é possível, mas é lanche de estação de trem, não café da manhã. E o pain au chocolat chama-se chocolatine no sudoeste do país, discussão que os franceses levam mais a sério do que se poderia imaginar.


3. O menu do meio-dia é o segredo do orçamento
Quase todos os restaurantes servem, nos dias úteis, uma formule midi: entrada e prato, ou prato e sobremesa, por 14€–19€ — muitas vezes com a mesma cozinha que à noite cobra o dobro. É a forma mais barata de comer bem na França, e explica por que os restaurantes ficam cheios entre 12h e 14h em ponto.
4. Os clássicos que vale conhecer primeiro
- Steak-frites — bife com batata frita, o prato de bistrô por excelência, entre 15€ e 22€
- Quiche lorraine — tarte salgada de creme, ovo e bacon, servida quente ou fria, comum em padarias por 4€–6€ a fatia
- Boeuf bourguignon — carne de vaca estufada em vinho vermelho, cenoura e cebola, prato de inverno de cozer horas
- Confit de canard — perna de pato confitada na própria gordura, típica do sudoeste, servida com batatas salteadas
- Moules-frites — mexilhões em vinho branco com batata frita, comida de costa e do norte
- Croque-monsieur — sanduíche gratinado de queijo e presunto, almoço rápido de café
5. O queijo vem antes da sobremesa
A França produz centenas de queijos, e a ordem à mesa é fixa: prato principal, depois queijo, depois doce. Num restaurante, o plateau de fromages aparece antes do dessert; em casa, o mesmo. Comprar numa fromagerie em vez do supermercado muda completamente a experiência — e o vendedor vai perguntar para quando é, porque o queijo é vendido no ponto de maturação certo para o dia em que vai ser comido.
Na França, o queijo não é acompanhamento nem entrada: é um curso próprio, entre o prato e a sobremesa.
6. Os horários são levados a sério
Almoço entre 12h e 14h, jantar entre 19h30 e 21h30. Fora dessas janelas, muitos restaurantes simplesmente não servem — encontrar cozinha aberta às 16h em cidade média é difícil. Padarias, por outro lado, abrem cedo e fecham tarde, e resolvem qualquer fome intermédia.
7. Mercados e apps: comer bem gastando pouco
Cada bairro tem o seu marché em dias fixos, com preços melhores que o supermercado no fim da manhã, quando os vendedores começam a liquidar. Somando isso ao Too Good To Go (excedentes de padaria e restaurante por 3€–5€) e à formule midi, é perfeitamente possível comer comida francesa boa gastando menos do que se gastaria com delivery.
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