Madrid ao entardecer

Espanha · Custo de vida

Quanto custa viver na Espanha em 2026?

Aluguel, empadronamiento, autónomos e a diferença enorme entre Madrid e o interior — a conta real de um mês em cada tipo de cidade.

12 jul 2026 · leitura de 4 min

A Espanha é um dos países da Europa ocidental onde o dinheiro rende mais — desde que não se viva nas duas cidades onde vive metade de quem chega. Entre um apartamento no Eixample e o mesmo apartamento em Múrcia há uma diferença de dois para um; entre Madrid e uma capital de província do interior, ainda maior. A escolha da cidade determina praticamente toda a conta.

2.100€–2.900€casal em madrid
1.500€–2.000€casal em valência
1.100€–1.600€casal na andaluzia
12€–16€menú del día típico

Aluguel: onde tudo se decide

Um apartamento de um quarto em Madrid custa 1.000€–1.500€; em Barcelona, 1.050€–1.600€, com o Eixample e Gràcia no topo. Valência ficou 30% a 40% abaixo durante anos e tem vindo a subir depressa. Sevilha, Múrcia, Granada, Valladolid e as capitais do interior continuam a oferecer apartamentos completos por 550€–850€.

Cidade1 quarto2 quartosNota
Madrid1.000€–1.500€1.300€–1.900€mercado muito competitivo
Barcelona1.050€–1.600€1.400€–2.100€oferta limitada, regulação em curso
Bilbau / San Sebastián900€–1.350€1.150€–1.750€salários altos, oferta escassa
Valência750€–1.100€950€–1.400€subida rápida nos últimos anos
Málaga800€–1.200€1.000€–1.500€pressão de aluguer turístico
Sevilha / Granada550€–850€700€–1.100€o melhor custo entre cidades grandes
Madrid
Madrid concentra grande parte do emprego qualificado do país e, com ele, a maior pressão sobre o arrendamento.
Foto: Francisco Anzola · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons

Supermercado e comer fora

O cabaz espanhol é dos mais baratos da Europa ocidental: 280€–420€ por mês para duas pessoas. Mercadona domina e tem excelente relação qualidade-preço; Lidl e Aldi cortam mais; Carrefour e Alcampo cobrem o resto. Mas a verdadeira diferença está nos mercados municipais e nas fruterías de bairro, onde fruta, legumes e peixe são mais frescos e mais baratos.

  • Menú del día — entrada, prato, bebida e sobremesa por 12€–16€ em dias úteis; é o almoço normal de milhões de pessoas
  • Caña — cerveja pequena por 1,50€–2,50€, muitas vezes com tapa incluída em Granada, Jaén ou Leão
  • Mercados municipais — o melhor produto fresco, com preços abaixo do supermercado
  • Horários — almoço entre as 14h e as 16h, jantar depois das 21h; a cozinha fecha entre serviços

Saúde, impostos e trabalho por conta própria

Com residência e alta na segurança social, o acesso ao sistema público é gratuito no ponto de uso, com uma pequena comparticipação em medicamentos. Quem trabalha por conta própria entra no regime de autónomos, com quota mensal calculada por escalões de rendimento — é a despesa que mais surpreende freelancers estrangeiros, e vale simular antes de decidir. Para quem chega com contrato de trabalho a partir do estrangeiro, existe um regime fiscal especial para trabalhadores deslocados que pode reduzir substancialmente a tributação nos primeiros anos, com requisitos estritos.

Contas fixas

Eletricidade é cara e varia com a tarifa contratada; conte 60€–110€ mensais para um casal, com pico no verão por causa do ar condicionado no sul e no interior. A água é barata, a internet fibra custa 30€–45€ e as ofertas combinadas de fibra e móvel são das mais competitivas da Europa. O aquecimento pesa mais do que se espera no interior e no norte: Madrid, Burgos ou Leão têm invernos frios e casas frequentemente mal isoladas.

Em Espanha, a comida, o transporte e a saúde são baratos. A habitação nas duas grandes cidades é que desequilibra tudo.

Onde o dinheiro rende mais

Valência mantém a melhor combinação de cidade grande, mar, transporte e preço, ainda que já não seja a pechincha de há cinco anos. Sevilha e Granada oferecem o custo mais baixo entre cidades com serviços completos. Saragoça é subestimada: cidade grande, AVE a Madrid e Barcelona em pouco mais de uma hora, e habitação muito abaixo das duas. E para trabalho remoto, as capitais de província do interior — Valladolid, Salamanca, Cáceres, Logroño — são das melhores relações qualidade-preço da Europa.

Valores de referência para 2026. Quotas de autónomos e regimes fiscais especiais dependem de rendimento e situação individual.