A Irlanda é o país europeu onde o rendimento é alto e a habitação anula boa parte dessa vantagem. Salários em tecnologia, farmacêutica, finança e serviços partilhados estão claramente acima da média europeia; o preço de arrendar em Dublin também. Fazer a conta certa aqui significa olhar para o valor líquido depois da renda, não para o bruto do contrato.
Habitação: o problema real do país
A oferta é estruturalmente insuficiente há mais de uma década. Em Dublin, um apartamento de um quarto custa 1.700€–2.400€ por mês; dois quartos, 2.200€–3.000€. Quartos em casa partilhada — a solução mais comum para quem chega — ficam entre 800€ e 1.300€. E o preço é apenas metade do problema: a concorrência é o resto. Visitas com vinte candidatos ao mesmo tempo são normais, e propriedades saem do mercado em dias.
| Cidade | Quarto partilhado | 1 quarto | 2 quartos |
|---|---|---|---|
| Dublin | 800€–1.300€ | 1.700€–2.400€ | 2.200€–3.000€ |
| Cork | 600€–900€ | 1.200€–1.650€ | 1.500€–2.100€ |
| Galway | 600€–900€ | 1.200€–1.600€ | 1.500€–2.000€ |
| Limerick | 500€–750€ | 950€–1.350€ | 1.200€–1.700€ |
| Waterford / Sligo | 450€–650€ | 850€–1.150€ | 1.050€–1.450€ |

Supermercado: mais caro do que no continente
Um cabaz mensal para duas pessoas fica entre 380€ e 550€. Aldi e Lidl são claramente as mais baratas; Tesco e Dunnes Stores ficam no meio; SuperValu e Centra, sobretudo as lojas pequenas de conveniência, são as mais caras. Fruta, legumes e carne são mais caros que na Europa continental — lácteos e batata são a exceção, produzidos localmente e baratos.
- Aldi e Lidl — cortam 20% a 30% do cabaz face às cadeias tradicionais
- Dunnes e Tesco Clubcard — promoções por cartão que fazem diferença real ao mês
- Mercados de agricultores — bons no fim de semana em Dublin, Cork e Galway, mas nem sempre mais baratos
- Comer fora é caro — 15€–22€ um prato principal, 6€–7€ uma pint em Dublin
Contas fixas, saúde e o que o Estado devolve
Eletricidade e gás são caros e o aquecimento pesa: 150€–280€ mensais no inverno para uma casa mal isolada. Internet fibra custa 40€–60€. E a saúde funciona de forma diferente do resto da Europa continental: sem GP visit card ou medical card, uma consulta de médico de família custa 50€–70€ do bolso. Muita gente compra seguro privado (VHI, Laya, Irish Life) por 60€–130€ mensais, frequentemente com contribuição do empregador.
Impostos e o rendimento que fica
O sistema tem duas faixas principais e alívios importantes: crédito pessoal, crédito de trabalhador e o já referido crédito de arrendamento. Somam-se o PRSI (segurança social) e a USC. Para um salário de 45.000€ brutos anuais, o líquido mensal ronda os 2.900€–3.100€ — número que só faz sentido comparado com um aluguer, não isolado.
Na Irlanda, o salário resolve. A casa é que decide se o salário chega.
Onde o dinheiro rende mais
Cork é a alternativa mais completa: segunda maior cidade, emprego forte em farmacêutica e tecnologia, aluguéis 25% a 35% abaixo de Dublin. Galway serve bem quem trabalha em MedTech ou universidade. Limerick e Waterford são materialmente mais baratas, com mercado de trabalho menor. E, para quem trabalha remoto, cidades e vilas da linha ferroviária a 40–80 minutos de Dublin — Drogheda, Dundalk, Portlaoise, Athlone — oferecem a maior queda de custo por hora de deslocação da Europa ocidental.
Valores de referência para 2026, compilados a partir de médias de mercado de arrendamento, tarifas oficiais de transporte e preços médios de retalho. Apoios sociais dependem de análise individual de rendimento.
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